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  • Bruno Madeira

CRÍTICA: DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL (1964)

Quando falamos em cinema de guerrilha, não estamos apenas nos limitando a obras que retratam a injustiça, a batalha para sobreviver, ou a opressão por meio do coronelismo e qualquer um outro mecanismo opressor. Mas essencialmente de um cinema, que tem como impasse a falta de incentivo, a repressão, a censura, e todas as barreiras que tornam do ato de criar obras da sétima arte no Brasil, um verdadeiro ato de guerra.



Dessa maneira, Deus e o Diabo na Terra do Sol é meticuloso, certeiro, uma obra que cria a dicotomia precisa entre sua própria existência, e a existência de seu enredo. Um tipo de metalinguagem verborrágica.


Nesse filme, o experimentalismo transcende seus próprios estigmas. Aqui transitamos do surrealismo ao documental, do western ao thriller, tudo se mistura com completa leveza, de maneira que só uma montagem flexível e inventiva é capaz de proporcionar, indo da calmaria a histeria sem perder qualquer enfoque.


A trilha sonora possui um forte impacto no clima criado, e dita grande parte da emoção proposta no filme. No entanto ela acaba sendo muito expositiva em alguns momentos, explicando o que deveria ser mostrado, e evidenciando dessa forma um certo problema de clareza durante a película. Mesmo quando entendemos o rumo do filme, as motivações acabam por se perder quando não explicadas melodia a melodia. Os causos se embaralham, mas ainda assim nos mantemos vidrados a obra.



Deus e o Diabo na Terra do Sol instiga uma força em nossos interiores, que só a revolta é capaz de fazer. Uma revolta de paixão, uma revolta de política, uma revolta as autoridades, e efetivamente uma revolta ao acaso.

NOTA: 4/5 - Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)

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