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  • Bruno Madeira

CRÍTICA: TENET (2020)

Em mais uma obra de pretensões grandiosas, performática em seu teor frenético, tecnicamente vistosa e pertinentemente engajada no tão amplo discurso da temporalidade; Christpher Nolan, novamente abordando o tema que mais parece se interessar falar, se instaura definitivamente como um dos principais - se não o principal - expoentes a realizar obras envolvendo viagem no tempo.



Como sempre, Nolan busca aqui em Tenet trazer uma visão ainda não antes abordada pelo diretor dentro ao tema, conciliando seu melhor primor técnico ao dirigir cenas de ação - nos apresentando sequências de puro e instigante frenesi - e nos dando uma experiência satisfatoriamente única sobre variados pontos de vista quanto a temporariedade. No entanto, o filme de forma infeliz acaba por tropeçar junto a esse recurso na monotonia (não sei se devido a sua longa duração, ou ao uso exacerbado do mesmo), e termina por ficar um tanto enfadonho após um tempo o rever e rever das mesmas - por mais que boas - cenas.


Apesar do filme se esconder em meio a cortina duma obra de ação instigante e uma temática megalomaníaca, ainda existe de forma entremeada a temática um perspicaz discurso abordando a importância, a noção, o valor e até o conceito do protagonismo, invertendo e revertendo incessantemente esta ideia, assim como as balas que voltam as armas. Tais facetas só tornam da obra ainda mais ramificada, propondo uma miscigenada variação de elementos, que só é capaz e possível de acontecer devido ás maravilhosas atuações, recheadas de gestos, trejeitos e maneiras.


Como já fora dito antes nesta crítica; este se trata de mais um grandioso - em todos os termos cabíveis - filme do reconhecido diretor responsável por películas de estrondoso peso comercial, como "Interstelar" e "Inception". E desta maneira, Tenet está definitivamente junto a esta duas obras em teor de tamanho orçamentário, porém definitivamente abaixo delas em questão de esmero artístico, se destacando somente em sua volátil trilha sonora e impecável trabalho de figurino capaz de transpassar a tão importante noção de status social presente no filme, mas ainda tendo uma direção artística e fotográfica a desejar em diversos momentos.


Nolan enfim parece estar aprendendo a se conter quanto ao pretenciosismo, deixando vagarosamente de instaurar temas supostamente "difíceis" apenas para soar inteligente, e retomando a ideias mais clássicas como "Memento" onde tudo possui seu propósito. Fora por diálogos que forçam a todo momento por serem incredulamente desenvoltos e "inteligentes", esta obra parece seguir em bons caminhos quanto a isso, nos entregando por fim um filme longe de alcançar o potencial completo do criador, porém recheado de ótimos momentos que dão o brilho necessário a obra.

NOTA: 3/5 - Tenet (2020)

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